sábado, 26 de outubro de 2013
TESTAMENTO LÍRICO
Meus livros lego às traças eruditas, meu violão a um novo chorão a conservar-lhe em notas as suas poesias em linhas de baixo com bordão. Meu nome aos enjeitados pela sorte e a caixinha de fósforos que eu batia a quem nela encontrar essa alegria que hei de levar comigo até a morte. Uns versos provisórios, sem sentido, vindos dentro do sono, aos pesadelos, a alguém que, em qualquer dia distraído queira dar-se ao incômodo de lê-los. Meus sentimentos, muito complicados, não sei como legá-los com certeza: de quem me olhou com olhos espantados vingo-me ao lhe deixar minha Surpresa. Minha amizade àquele amigo ausente que existiu dividido em mil pedaços. Aos outros lego uns três ou quatro abraços e um último sorriso indiferente. A quem me atraiçoou o meu Assombro, a quem me perdoou minha poesia, e todo o meu amor àquele dia em que fiz o meu ninho no teu ombro.
D.AUTOR
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário