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sábado, 12 de janeiro de 2013

Borboletas me fascinam....


A vida só pode ser compreendida quando a vemos como um processo que inclui morte e renascimento, vigília e sonho.

O corpo humano abriga uma alma que também é mortal, embora seja sutil e só morra algum tempo depois do corpo. Mas a alma contém em si um Espírito que não morre e que “renascerá” uma e outra vez. Ao contrário do corpo físico, a alma-espírito  pode voar como se tivesse asas. 

Chuang,  um antigo sábio chinês, confessou:

“Certa vez, eu, Chuang Chou, sonhei que era uma borboleta, a voar para lá e para cá;  borboleta para todos os fins e em todos os sentidos. Tinha consciência apenas de minha felicidade como borboleta, sem saber que era Chou. Logo despertei, e ali me achava, de novo e verdadeiramente eu mesmo.  Agora, não sei se eu era antes um homem a sonhar que era uma borboleta, ou se sou agora uma borboleta a sonhar que sou homem.” [1]

No Oriente e no Ocidente, a borboleta é um antigo símbolo da alma humana. Alguns indivíduos ficam em dúvida: eles não sabem se são seres físicos que, enquanto dormem, fluem como almas, ou se são almas, capazes de voar, que, durante o estado de vigília, têm a ilusão de pensar que são seres físicos.

A imagem do espírito-alma como borboleta não é uma exclusividade da China.  Na Grécia antiga, Psiquê, a alma, era descrita como uma borboleta que escapava do corpo com a morte.[2]  

A filosofia esotérica ensina que a alma mortal (Kama-Manas) contém em si o Espírito imortal (Atma-Buddhi),  que seguirá a jornada mesmo quando ela morrer,  e que, muito mais  tarde, viverá uma nova encarnação.  A vida da borboleta, em suas várias etapas, reflete o processo do corpo-alma-espírito. 

Henry Thomas prossegue:

“Quando a época de renascer chega afinal, o estupendo processo se realiza quase que subitamente. A pele da crisálida rasga-se e uma criatura, úmida e frágil, esforça-se por obter ar livre, procurando um lugar ao sol, onde possa ficar pendurada pelos pés.  Agita e desdobra suas asas enlameadas e injeta-lhes sangue. Depois de uma hora ou mais, as asas gradualmente secam e tornam-se menos enrugadas.  E então, quase num abrir de olhos, o inseto já está completamente limpo e você poderá ver diante de si uma esplêndida borboleta. Poderá ter asas azuis do tom mais puro, ou flamantes asas vermelhas, ou combinações inumeráveis de cores, tintas e matizes. A lagarta rastejante e feia renasceu, na forma de uma  das mais belas criaturas de Deus: a alada flor dos ares.”(3)



NOTAS:

[1] Chuang-tzu, citado por Lin Yutang em sua obra “A Importância de Compreender”, Círculo do Livro S.A., SP, 458 pp., ver p. 95.

[2] “Dicionário de Mitologia Grega”, Ruth Guimarães, Cultrix, 318 pp., item “Psiquê”,  p. 267.

[3] “As Maravilhas do Conhecimento Humano”, Henry Thomas, vol. II, Edição da Livraria do Globo, Porto Alegre, 1941, 400 pp., ver pp. 312-313.

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