Tenho que trabalhar, não existe outra forma de sobrevivência, é preciso. Adoro o meu trabalho, amo a educação, sinto prazer em ver pessoas sendo culturalmente beneficiadas por alguma coisa que eu tenha feito, por uma mínima parcela de contribuição que eu possa ter dado. Mas já não sou mais a mesma pessoa, há 08 anos recebi o diagnóstico de TAB, quis por muitas vezes discordar desse diagnostico mas as sensações, o medo, as angústias que vem se tornando cada vez mais frequentes e demoradas me obrigam a aceitar que não sou um ser sociável.
Não me sinto incluída nesta sociedade apesar de viver nela. Não faço a menor questão de sair.E quando saio é tão simplesmente para cumprir com os meus deveres
Esta doença é grave, dilacerante, e, sei que a princípio minha intenção seria publicar um
depoimento de superação, mas no meu caso, a doença está vencendo..
Minha vida se resume a viver um dia de cada vez, absolutamente isolada, por opção. Não posso e não devo conviver com a sociedade. Ela me faz mal e eu faço um mal ainda maior a ela. Todas as minhas relações de amizade estão sendo destruídas por mim mesma. Porque me afasto das pessoas, não ligo, não atendo ligações, raramente o faço, não consigo conversar por muito tempo, sinto-me cansada. Minha memória é vaga, lembro de poucas situações, muito poucas, e sei que amanhã não lembrarei de hoje.

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